Defender a <i>RTP</i> pública
O PCP está contra a intenção do Governo PSD/CDS de reduzir as emissões da RTP Açores. Para o Secretariado da Direcção da Organização da Região Autónoma dos Açores do Partido, as declarações do ministro Miguel Relvas, que vão nesse sentido, demonstram um «profundo e lamentável desconhecimento da realidade insular e do papel que a RTP Açores aí desempenha».
O PCP considera ainda «inaceitável» que se comprometa o serviço público de televisão na Região Autónoma dos Açores apenas por razões economicistas, «pretendendo, aparentemente, desmantelar toda a produção de conteúdos regional, bem como pôr em causa os trabalhadores da RTP e os seus postos de trabalho». O objectivo maior por detrás de toda esta operação é, para os comunistas, o desmantelamento da RTP e a sua privatização, não se importando o PSD e CDS de «sacrificar em nome disso o serviço prestado às populações e os direitos dos seus trabalhadores».
Mas este ataque à RTP Açores tem, para os comunistas da região, um alcance maior. Trata-se, em sua opinião, de «mais um episódio de um aparente abandono do projecto autonómico enquanto desígnio nacional, por parte do Governo PSD/CDS».
Perante o que consideram um «novo ataque do centralismo», o PCP chama a atenção para a reacção das estruturas regionais do PSD e do CDS, que «procuram disfarçar a sua obrigada concordância com as respectivas direcções partidárias». Assim, garantem os comunistas, «impõe-se uma vez mais uma clarificação da posição destas forças para que os açorianos compreendam de que lado estão, afinal, os auto-proclamados “pais da autonomia”».
Da parte do PCP, os açorianos podem contar com a defesa de um serviço de rádio e televisão «integralmente público, dotado de meios próprios e autonomia perante o Conselho de Administração da RTP, com uma forte aposta na produção de conteúdos próprios, funcionando de forma descentralizada, com correspondentes em todas as ilhas dos Açores e com o respeito e valorização dos seus profissionais».
RTPN também por dias...
Também a RTPN poderá ter os dias contados nascendo em seu lugar a RTP Informação. Na opinião da Direcção da Organização Regional do Porto do PCP, a alteração é mais profunda do que apenas um nome ou um logótipo. Para os comunistas, as alterações que terão lugar a partir de 19 de Setembro neste canal público «inserem-se no processo mais vasto de preparação da empresa RTP para a privatização».
O que o Governo se prepara para fazer é, acusam os comunistas, impor, a pretexto da crise, a degradação do serviço público de televisão «levando à redução de conteúdos produzidos a partir da região e consequente falta de diversidade na oferta ao País de conteúdos televisivos». Trata-se, pois, de «mais um caso de centralização de competências atribuídas a esta região na capital do País», garante o PCP.
Os comunistas entendem ainda que este caso coloca uma vez mais a necessidade da regionalização, cumprindo, aliás, o que é preceituado na Constituição da República Portuguesa. E lembram que fica ainda por esclarecer as consequências que estas alterações terão ao nível do investimento público neste canal de televisão e, consequentemente, nos postos de trabalho a ele adstritos.